17 de Janeiro de 2017

Nossa História

DONATO RAFAEL FLORES nasceu em Borda da Mata, MG, aos 29 de julho de 1899, filho de Vicente Rafael Flores e Marieta de Jesus Flores. Passou a maior parte de sua infância em Mogi Mirim, tendo perdido os pais ainda criança.

Começou a trabalhar muito cedo como telegrafista da antiga Estrada de Ferro Sorocabana. Mais tarde deixou a ferrovia e habilitou-se para o cargo de Escrevente do Cartório do 2º Ofício de Capivari, transferindo-se depois para São Paulo. Em abril de 1925, casou-se com Faraildes Camargo Penteado, de tradicional família capivariana, com quem teve duas filhas: Donildes e Dulce; e em 1929, veio para Tatuí, onde trabalhou por 30 anos no Cartório de Registro de Imóveis, Protestos e Anexos. Em São Paulo, chegou a ingressar na Faculdade de Farmácia, cujo curso não concluiu por haver decidido mudar-se para Tatuí.

Com base em suas experiências nas lides cartorárias, publicou o livro “Notas sobre o mandato em causa própria”, obra que mereceu elogios de vários juristas, entre eles Clovis Bevilácqua. Em colaboração com seu irmão, Dr. Pompilio Rafael Flores, escreveu ainda “Registro de hipotecas”, obra que foi igualmente muito apreciada e que se divulgou por todo o país.

Seu trabalho na área de protestos de títulos levou-o a conhecer de perto os dramas vividos por pessoas que se viram ameaçadas de perder tudo o que possuíam. Ele sempre procurou ajudá-las, negociando prazo com os credores e muitas vezes pagando a dívida com dinheiro de seu próprio bolso. E era com satisfação que dizia: “Durante os anos que trabalhei neste Cartório, nunca houve um título protestado em Tatuí.”

Os problemas sociais o tocavam profundamente e ele orientou sua vida no sentido de tentar resolvê-los ou ao menos amenizá-los. Assim, fornecia alimentos e agasalhos para famílias carentes, comprava medicamentos para doentes sem recursos, tendo sempre uma palavra de estímulo ou um conselho para quem necessitasse. Era adepto da caridade sem alarde, pois sua filosofia de vida era fazer o bem pelo bem.

Esteve presente em todos os empreendimentos em prol dos menos favorecidos de nossa cidade, dando o máximo de si para o que se tornou seu primordial objetivo – melhorar a condição de vida dos mais humildes. Porém, foi à infância desprotegida que ele dedicou seu maior carinho e atenção.

Trabalhando junto ao juizado de menores, viu passar por suas mãos inúmeras crianças órfãs ou abandonadas, que ele encaminhava para adoção ou para alguma instituição que as amparasse.

Era seu sonho construir em Tatuí um Lar para esses menores desprotegidos, para que pudessem ter a chance de uma vida melhor e mais digna.

Já havia dado os primeiros passos a fim de realizar esse projeto, quando a morte o surpreendeu em 9 de novembro de 1960.

Seus amigos: a Loja Maçônica Caridade III, o Clube dos Treze e o Centro Espírita “Cairbar Schutel” levaram adiante seu ideal. Assim ergueu-se o Lar que leva seu nome e que durante todos esses anos vem cumprindo a missão de dar abrigo, proteção e amor às crianças necessitadas de Tatuí.


Fotos Acervo